A 2 Rios traz a lingerie brasileira para os EUA

A marca Brasil é favoravelmente associada a temas como moda, beleza e sensualidade. Ou seja, empresas desses segmentos, levam uma certa vantagem quando buscam ingressar no mercado americano. Mas isso não é suficiente para pavimentar o caminho para o sucesso. “Para dar certo, a internacionalização tem que fazer parte do DNA e do planejamento estratégico da empresa” é o que afirma Matheus Fagundes, presidente da 2 Rios Lingerie, e que pilota o ingresso da empresa nos EUA.

Ele diz isso, com a convicção de quem administra uma marca que está presente em mais de 20 países, espalhados por diversas regiões do planeta, levando não só a sensualidade da moda íntima brasileira, mas também a qualidade, a capacidade de customização e adaptação do produto a diferentes públicos. Mas como é oferecer calcinhas e sutiãs num mundo tão diversificado quanto o americano, um verdadeiro mosaico de culturas, religiões, biótipos, costumes e gostos?

A empresa, fundada há 26 anos em Rio do Sul e, desde 1996 sediada em Joinville, considera a internacionalização o maior desafio de sua trajetória. Depois de mais de uma década de exportações, a 2 Rios faz agora de Miami sua plataforma para expansão no maior mercado do mundo. “Globalizar a marca sempre fez parte dos nossos planos” revela Matheus, desde Miami, onde conta com escritório e armazém. Ambição não falta pois, de acordo com ele, as exportações da empresa cresceram mais de 90% no último trimestre, e respondem por cerca de 20% das 200 mil peças que a empresa vende por mês. O agressivo plano de expansão prevê triplicar a produção nos próximos 5 anos, e os mercados internacionais terão um papel importante nessa expansão.

Para chegar até aqui, a 2 Rios começou a estudar o mercado americano em 2009, quando passou a participar de eventos e feiras. Depois recorreu a parcerias com a Apex Brasil, a Texbrasil (programa de internacionalização da Associação Brasileira da Industria Textil—ABIT), estudos mercadológicos e de inteligência, que os ajudou a entender o mercado e montar a estrutura necessária. Mas Matheus avisa que esse não é um processo de curto prazo, e sim um aprendizado continuo. Com a vantagem de que essas melhores práticas aprendidas no mercado americano serão aplicadas no projeto de ingresso da empresa na Europa.

O fato do mercado americano apresentar desafios parecidos com o brasileiro em termos de diversidade de biótipos e gostos ajudou a 2 Rios ganhar mercado. O segmento Plus Size (para mulheres mais corpulentas) representou uma oportunidade, por ser um mercado em crescimento e pouco servido nos EUA. E no qual a empresa tinha ampla experiência por sua atuação no mercado brasileiro.

Além disso, a empresa aposta num posicionamento de imagem associado ao Brasil, algo novo e um diferencial no segmento de lingerie. “As peças tem que ajudar a mulher a se sentir sexy e confortável consigo mesma, e a associação da imagem do Brasil com beleza e sensualidade ajudam.”

A empresa pretende investir nas redes sociais e no marketing digital, para promoção da marca. A participação consistente em feiras sinaliza o comprometimento da marca com a internacionalização. “Os clientes percebem que é um compromisso de longo prazo” diz Matheus.

Como a ambição da empresa vai muito além da Flórida, ela busca entender as necessidades de cada região do país. “Nova York é completamente diferente da Flórida. Tem que se adaptar a cada mercado, não pode ficar engessado. Cada região tem sua própria demanda com relação à moda, cores, materiais. Vários fatores influenciam, como gosto, cultura, biótipo e clima. Precisa de um estudo para cada região. Temos que oferecer o que tem aceitação em cada mercado.”

Matheus aponta que o aprendizado proporcionado pela internacionalização é uma via de mão dupla, ou seja, sempre se busca levar para o Brasil evoluções que ajudem a 2 Rios ganhar espaço no mercado nacional. “Os EUA são pioneiros em tecnologia e processos, e usamos isso para nos diferenciar no mercado nacional.”

Com a mercadoria estocada em Miami, a empresa abastece pequenas boutiques especializadas em lingerie, linhas praia e fitness. Enquanto isso, busca distribuidores, representantes e monta uma equipe de vendas local. Nos próximos meses deve lançar uma estratégia de e-commerce. Planos para o futuro, incluem o desenvolvimento de lojas próprias, para solidificar o posicionamento da marca, e posteriormente um sistema de franquias. Tudo com muito cuidado e planejamento.

“É um mercado exigente e trabalhamos muito para chegar até aqui. Não basta ter um produto de qualidade, precisa ter bom serviço e cultivar a marca. Por ser o maior importador de lingerie do mundo, o sucesso nos EUA representa uma credencial para vender em qualquer lugar do mundo.

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