Um palco internacional para os empreendedores brasileiros

O Brasil tem o mercado de startups mais dinâmico da América Latina e um dos mais dinâmicos do mundo. Segundo estudo da rede UHY, o número de novos negócios no pais cresceu 22% entre 2010 e 2014, colocando o pais entre os 10 que mais crescem no mundo. Isso sem contar a força de uma infraestrutura de tecnologia que abrange uma grande variedade de setores, que faz do pais o quinto maior mercado de informação e comunicação do mundo, segundo a Brasil IT. Mas, apesar de tudo isso, a busca de projeção internacional continua sendo um grande desafio para os empreendedores brasileiros.

Um grupo deles descobriu o poder agregador no evento de tecnologia e empreendedorismo eMerge Americas, que aconteceu em Miami no mês passado e reuniu 13 mil pessoas dos ecossistemas de tecnologia e inovação. Os empreendedores Marcius Victorio da Costa, Tallis Gomes e Eduardo L’Hotellier, não só divulgaram seus respectivos negócios para um público internacional de milhares de pessoas, mas também aproveitaram essa plataforma para estabelecer conexões de negócios, trocar experiências com outros empreendedores globais e se antenar com novas tendências. Marcius, é Fundador da Fumajet, uma empresa especializada em soluções tecnológicas inovadoras para o controle de epidemias, pragas agrícolas e de saúde pública.Tallis é CEO e Fundador da Singu, um aplicativo que leva serviços de salão de beleza a domicílios e também da Easy Taxi, uma das maiores empresas de Taxi no mundo, e Eduardo, CEO da GetNinjas, a maior plataforma de contratação de serviços do Brasil.

As audiências de cada um dos fóruns variavam de algumas centenas a quase 2000 pessoas, em alguns casos. A plateia era diversificada e composta de executivos de multinacionais como IBM, Microsoft, Juniper, Cisco e Facebook, criadores de startups, mídia internacional, e estudantes universitários. A diversidade geográfica também era enorme.

Esses três brasileiros apresentaram no primeiro dia, logo depois do keynote do ex-Secretário de Estado americano Colin Powell e do co-fundador da Netflix Marc Randolph.

Brasileiros Eduardo e Tallis no palco da eMerge Americas 2016

Brasileiros Eduardo e Tallis no palco da eMerge Americas 2016

Veja o que eles acharam da participação no evento:

Porque vocês decidiram participar do eMerge?

Eduardo: Um dos objetivos foi divulgar o GetNinjas numa plataforma internacional, além de estabelecer contatos com potenciais investidores. Esses eventos são muito enriquecedores e me fazem voltar motivado para a empresa. É ótimo para aprender com outros colegas e especialistas da indústria.

Tallis: Meu principal objetivo foi networking. Tive a oportunidade de falar com o Ray Kurzweil, autor e inventor americano, um dos meus ídolos; com o Colin Powell e até trocar umas ideias com o Tony Hawk, o grande skatista profissional americano que se reinventou como empresário; além de ter conversas produtivas com investidores e empreendedores.

Qual a percepção que o mundo tem do Brasil nas áreas de inovação e tecnologia?

Marcius: O cenário está melhorando. O custo de tecnologia está diminuindo e isso tem viabilizado as oportunidades. Silicon Valley continua sendo o hub de tecnologia mas agora tecnologias nascem em polos novos, como Miami e no caso do Brasil existem centros de inovação em Florianópolis, Recife, Rio de Janeiro, e SP, entre outros.

O que vocês acharam da presença do Brasil no evento?

Eduardo: Gostei de ver que tinha um pavilhão brasileiro e percebi que alguns participantes estavam conversando com investidores, mas fora isso não vi muito movimento de brasileiros. Como o Brasil é a principal economia da América Latina essa presença brasileira poderia ter sido bem maior.

Marcius: Pelo nosso tamanho, achei que a presença foi fraca. O pavilhão de startups brasileiras estava ao lado do pavilhão da Colômbia que era mais bacana e moderno que o nosso. Acredito que podemos melhorar.

Um dos problemas é que os programas que facilitam a participação de startups brasileiras em evento como esse, as vezes são muito caros. Os investidores deveriam apoiar a participação das startups em eventos de tecnologia pela oportunidade que representam.

Que outros eventos nos Estados Unidos vocês recomendam? 

Tallis: O TechCrunch é sem dúvida o exemplo de um evento de inovação; todas as grandes novidades surgem por lá. É um evento obrigatório na agenda de quem trabalha com inovação.

Eduardo: O evento TechCrunch Disrupt em São Francisco junta muitas idéias novas com empresas que já levam alguns anos na estrada, e se aprende muito.

Você pretende voltar ao eMerge? Recomendaria para outras startups?

Marcius: Sim. Às vezes é uma conversa em um evento como esse que pode fazer a diferença para o futuro da empresa. Na Fumajet, tentamos participar de pelo menos 2 eventos internacionais todo ano.

Tallis: Fiquei impressionado com a organização e o tamanho do evento. Definitivamente recomendaria para empresas/startups brasileiras. E sim, pretendo voltar no ano que vem.

Eduardo: Com certeza! Se não como palestrante, até como participante.

Administrar uma startup demanda muita dedicação de tempo e recurso mas esses empreendedores destacam a importância de tirar alguns dias para participar de eventos internacionais como esse pois, a descoberta de uma nova idéia, parceiro ou investidor pode abrir novas e promissoras perspectivas. Eventos internacionais são veículos para apresentar o seu produto, serviço ou tecnologia para o mundo.

Não percam nosso post anterior também sobre esse assunto.

Tem alguma idéia ou sugestão? Mande um email:ccopello@americasconnection.com