Miami e o salto internacional da XP Investimentos

Um dos setores que mais se destaca nessa ascensão de Miami como polo internacional de negócios é o setor financeiro. De acordo com o estudo Miami é a nova Cingapura, a cidade reúne uma ampla variedade de bancos de investimento, private-equities, hedge funds, empresas de gestão de fortunas (wealth management) e escritórios que administram fortunas familiares. Com isso, a cidade se tornou o segundo centro financeiro mais importante dos EUA, atrás somente de Nova York.

De olho neste filão e, ao mesmo tempo, visando oferecer opções de investimentos globais aos seus clientes no Brasil, a XP, sob o nome XP Securities, estabeleceu presença nos EUA em 2012, primeiro em Nova York, e depois em Miami, onde fincou bandeira no ano passado. “Vemos nossas operações nos EUA como um posto avançado dos nossos negócios no Brasil,” conta Alejandro Rebelo, que capitaneia as operações da empresa no mercado americano.

 

Alejandro Rebelo, sócio da XP Securities

Esse voo internacional, possibilita à XP, a maior firma de investimentos independente do Brasil, oferecer a seus clientes a possibilidade de investir em produtos das maiores instituições financeiras internacionais. Isso se alinha com a filosofia da empresa, que trouxe para o Brasil o conceito de shopping de investimentos, ou seja, oferece ao cliente acesso aos melhores produtos de investimento disponíveis no mercado.

O foco inicial quando a firma se estabeleceu em Nova York, era vender oportunidades de investimentos no Brasil a clientes estrangeiros.  Existia então uma grande demanda por ativos na bolsa de valores e mercados futuros no Brasil.

No entanto, a diretoria da XP percebeu que o mercado brasileiro começou a apresentar limitações para o crescimento. “Antecipamos o potencial de uma forte deterioração no Brasil, e isso nos empurrou rumo à essa internacionalização. Foi parte de uma estratégia de diversificação dos riscos.”

Da mesma forma que brasileiros afluentes começaram a buscar moradia no exterior, os investidores passaram a procurar alternativas financeiras fora do país. Isso gerou a oportunidade para a criação de uma estrutura internacional.

 Escritório da XP em Miami

Inicialmente a XP alavancou sua base de clientes do Brasil, mas sempre de olho no potencial do resto da América Latina, tanto com relação a clientes institucionais (fundos de pensão, seguradoras, fundos mútuos e grandes bancos), mas também pessoas físicas. Hoje o escritório se tornou regional. “Temos no time profissionais colombianos, chilenos, venezuelanos, e de vários outros países. Nossa base de clientes institucionais latinos já alcança cerca de 30% do bolo”, revela Rebelo.

Quanto aos desafios iniciais, Rebelo conta que a XP teve que superar uma resistência inicial por não ser conhecida fora do Brasil, e apostou na tecnologia e num modelo ágil e agressivo de gestão para se consolidar neste mercado.  A contratação de especialistas financeiros reconhecidos no mercado latino, também teve um papel fundamental na conquista do mercado latino.

Depois de começar com apenas 4 funcionários em Nova York, a XP agora soma mais de 50 profissionais em Miami, e já planeja uma mudança para escritórios maiores.

A crise tem representado uma oportunidade de crescimento. Com a alta do dólar e a retração do investidor que pensava em investir no exterior, a empresa passou a focar no cliente que já tinha capital depositado no exterior.  “O importante é ir se ajustando. Para competir no mercado americano tem que, no mínimo, ter um serviço compatível com as grandes instituições. Além disso, focamos num nicho—Brasil e Latam, que conhecemos bem. Falamos a língua dos nossos clientes melhor que um grande banco.”

Rebelo acredita que o Brasil terá um papel fundamental na consolidação de Miami como polo internacional de finanças, e aponta a chegada de gestores nacionais como a Leste, a essa região, que já conta com grandes private banks internacionais, como Itaú, Credit Agricóle, Citi, JP Morgan, UBS e Santander. “O potencial deste mercado é enorme. Todo mundo no setor sonha em abrir um escritório aqui.”